Romeiros

Romeiros (9)

Vale da Imaculada Conceição, Piedade dos Gerais MG, dezembro de 1998

TESTEMUNHO DE LUIZ DE JESUS - SALVADOR - BA

“A VISÃO NOTURNA”

No sábado da Semana Santa de 1994, deixamos a cidade de Irecê em um ônibus da empresa “Águia Branca”. Era uma madrugada fria e chuvosa. Estava cansado da longa viagem que se prolongava, devido a termos nos perdido por várias vezes nas estradas mineiras. Foi a primeira vez que em vinte e cinco anos de profissão de motorista, eu quis desistir da viagem e voltar para casa.

A estrada estava muito ruim. Retornamos à cidade de Crucilândia por duas vezes. Esta era distante apenas 22Km do município de Piedade dos Gerais e não conseguíamos chegar ao nosso destino. Tudo me fazia lembrar do aconchego do meu lar, de minha esposa e de meus dois filhos.

Nas mesmas condições se encontrava o outro motorista que comigo se revezava de vez em quando. Entre os passageiros, alguns dormiam, mas, muitos rezavam quase durante todo o tempo da viagem, desde que havíamos saído de Irecê (BA). Especialmente rezavam naquele momento por mim, pois me encontrava impaciente e agitado.

Estávamos próximos da cidade de Moeda. Repito, chovia muito! Eu estava desorientado, sem saber que rumo tomar. O relógio marcava 03:20 horas da manhã. Quase sem acreditar no que via, parei o ônibus na estrada, ao lado de uma jovem que se trajava de branco, com seus longos cabelos castanhos soltos. Não usava nada na cabeça e estava descalça.

Perguntei a ela o caminho para Piedade e ela simplesmente me disse que estávamos no caminho certo.

E ela seguiu o caminho dela e nós seguimos o nosso. Percebi que alguns passageiros observavam pela janela a jovem que seguia sozinha pela estrada deserta.

Ao amanhecer, finalmente chegamos à cidade de Piedade dos Gerais e avistamos o Vale da Imaculada. Senti-me aliviado por cumprir meu dever, mas, confesso que desejaria não estar ali. O ônibus não podia descer. Havia muito barro e provavelmente, teria agarrado na estreita estrada que dava acesso à Comunidade.

Os passageiros foram descendo devagarinho. Sem entender o que estava acontecendo, fomos recebidos com cantos e muita alegria.

No Vale não há pensão, nem comércio algum.

Naqueles dias, havia no Vale somente uma capelinha e algumas poucas casas nas quais os passageiros foram sendo acolhidos.

Eu estava sentado em um coxo (local onde os animais se alimentam) quando um senhor de nome Francisco me convidou a entrar e conhecer a pequena capela. Dei algumas desculpas, mas, não foram convincentes. Ele insistiu, até que resolvi entrar juntamente com o outro motorista.

Eu não era católico praticante e raramente entrava em uma igreja para rezar. E há muitos anos não me confessava e não acreditava em aparições, milagres, ou revelações. Mas entramos na capelinha. Quando vimos um quadro na parede, meu colega exclamou: “Luiz! Olha o retrato da criatura que a gente viu de madrugada!”

Assustado, perguntei quem era a moça do retrato e me responderam: “É a Virgem Maria, a Imaculada Conceição, Mãe de Jesus. É um retrato falado de como Ela aparece aqui.” Sem acreditar no que estávamos ouvindo, caímos de joelhos pois a jovem da madrugada era idêntica à do quadro! Este fato foi confirmado pelos passageiros que também a viram.

Hoje estou aqui pela segunda vez. Vim agradecer ao Céu a graça de ter visto e falado com a Mãe de Deus. Tenho sua imagem gravada mais que na mente, no meu coração. Graças a Ela sou um homem que hoje tenho fé! E não tenho como não ter fé! Mudei de vida e sou muito feliz. Por onde passo, deixo o meu testemunho e louvo a Deus por tanto amor em enviar Maria Santíssima à Terra, especialmente em Piedade dos Gerais.

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